Um áudio ou vídeo convincente pode ser fabricado para imitar a voz ou a imagem de alguém e pedir dinheiro, senha ou código. Se a solicitação for inesperada, confirme a identidade por ligação para um número já conhecido ou por outro canal independente antes de transferir valores.
Se houve transferência ou acesso a uma conta
Entre imediatamente no aplicativo ou telefone oficial do banco e comunique a fraude. Se a transferência foi por Pix, peça análise e acionamento do Mecanismo Especial de Devolução o quanto antes.
O Banco Central orienta fazer o pedido em até 80 dias; o mecanismo não garante recuperação e depende da análise e da disponibilidade dos valores.
Bloqueie cartões, acesso remoto ou credenciais comprometidas e troque senhas em dispositivo confiável.
Avise a pessoa cuja voz ou imagem foi imitada e os contatos que podem receber a mesma abordagem.
Registre boletim de ocorrência, informando datas, contas, números de telefone e valores envolvidos.
Solicite protocolo do banco e guarde comprovantes da transferência e das providências tomadas.
O DD explica os passos específicos para pedir análise pelo MED em um golpe do Pix.
Como preservar o conteúdo falso
Guarde a mensagem original, o arquivo recebido, o endereço da publicação, o perfil, a data e o horário. Faça capturas de tela que mostrem o contexto e, quando possível, exporte a conversa sem editar o arquivo; uma ata notarial ou perícia pode ser considerada em casos de maior gravidade.
Evite repostar o vídeo ou encaminhar para grupos, pois isso amplia a exposição da vítima e pode dificultar a remoção. Denuncie pela ferramenta da plataforma e registre o protocolo; se houver ameaça, extorsão, fraude financeira ou conteúdo íntimo, procure também a polícia e orientação jurídica.
Quando pode haver responsabilização
A criação ou circulação de conteúdo sintético não configura automaticamente um único crime. A responsabilização depende da finalidade e dos fatos: obter vantagem mediante fraude, ameaçar alguém, violar a intimidade ou usar imagem sem autorização podem levar a análises jurídicas diferentes.
O Código Civil, arts. 186 e 927, pode fundamentar reparação civil se os requisitos forem demonstrados.
A plataforma pode remover conteúdo após denúncia segundo a lei aplicável e suas regras. A ANPD recebe comunicações dentro de suas competências sobre dados pessoais e deveres regulatórios, mas não substitui o banco, a polícia ou o canal de remoção da plataforma em uma emergência.
Perguntas frequentes
Como saber se um áudio ou vídeo é falso?
Não existe sinal visual ou detector que confirme todos os casos. Mudanças de voz podem levantar suspeita, mas a verificação mais segura é confirmar o pedido por um canal independente e não compartilhar códigos ou fazer pagamentos sob pressão.
Devo apagar a mensagem depois de denunciar?
Preserve uma cópia segura e os dados de origem antes de apagar ou bloquear. Evite distribuir o material; guarde o protocolo de denúncia e o endereço da publicação.
O banco devolve automaticamente o dinheiro?
Não. Avise a instituição rapidamente e peça análise; em Pix, solicite o MED.
A devolução depende da avaliação do caso e dos recursos encontrados, então registre também ocorrência e comprovantes.
Fontes: CERT.br, golpes com áudio e vídeo; ANPD, Radar Tecnológico sobre deepfakes; Código Civil, arts. 186 e 927.
Conteúdo informativo. A investigação e eventual reparação dependem das provas, da finalidade do conteúdo e dos danos demonstrados.






