O direito à moradia é um direito social garantido pelo artigo 6º da Constituição. Seu conteúdo não se limita a ser proprietário de uma casa: também pode ser exercido por aluguel, cessão ou outra forma lícita de ocupação. Moradia adequada envolve segurança da posse, custo compatível com a renda, habitabilidade, acesso a serviços e infraestrutura, acessibilidade, localização e adequação às necessidades dos moradores.
Deveres públicos e planejamento
A Constituição atribui competência comum à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para promover programas habitacionais e melhorar as condições de moradia e saneamento, nos termos do artigo 23, inciso IX. A política urbana também deve ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar dos habitantes, como prevê o artigo 182. Isso envolve planejamento, infraestrutura e regularização, além da oferta de novas unidades.
O direito à moradia não equivale a um direito automático de receber imóvel gratuito, nem elimina o direito de propriedade. O Poder Público concretiza esse direito por políticas e programas sujeitos a orçamento, critérios legais e prioridades sociais. A Constituição exige ainda que a propriedade cumpra sua função social e prevê proteção contra remoções arbitrárias, observadas as regras e garantias aplicáveis.
Moradia adequada e diferença em relação à propriedade
O Ministério das Cidades destaca que a proteção pode envolver segurança na posse, infraestrutura, custo acessível, habitabilidade, acessibilidade, localização e adequação cultural. Assim, uma pessoa pode ter direito à moradia mesmo sem ser dona do imóvel — por exemplo, como locatária — e ser proprietária não resolve por si só problemas de insalubridade, risco estrutural ou falta de serviços essenciais.
Programas habitacionais
O Minha Casa, Minha Vida foi instituído pela Lei 14.620/2023 e atende famílias segundo modalidades, faixas de renda, disponibilidade local e critérios de seleção ou financiamento. A forma de inscrição varia conforme a modalidade: pode envolver cadastro habitacional municipal ou análise por instituição financeira. Consulte os critérios atualizados no Ministério das Cidades e no município; não se deve presumir que todas as unidades sejam distribuídas apenas por sorteio.
Se a moradia está ameaçada ou inadequada
- Em risco estrutural ou desastre, procure Defesa Civil e assistência social local.
- Em conflito de posse, despejo ou remoção, reúna notificações e documentos e busque Defensoria Pública ou advogado antes de deixar o imóvel, quando possível.
- Para falta de saneamento, água, energia ou infraestrutura, registre protocolos e acione os serviços e órgãos municipais responsáveis.
- Para inscrição em programa, verifique os critérios oficiais e mantenha cadastro e documentos atualizados.
Moradia é direito social com dimensão de dignidade e acesso a condições adequadas, e não se confunde com propriedade do imóvel.







